Por volta da segunda metade do século XIX, era proprietário da Fazenda São Gonçalo o Visconde de Parnaíba, rico senhor que residia na cidade de Oeiras, então capital do Piauí. Mais ou menos em 1860, o paraibano Manoel Félix Monteiro (provavelmente da cidade de Monteiro, Estado da Paraíba), casado com D. Teutônia Teixeira Leite, comprou a fazenda ao dito Visconde. Sendo constrangido a abandonar a família por desentendimento com a esposa, Manoel Monteiro, vendeu ferro e sinal ao mesmo Visconde, ficando as terras em poder da esposa. Em 1877, já era proprietário da Fazenda, o cearense Daniel Rodrigues Nogueira, primeiro morador do sítio onde se erigiu o povoado de São Gonçalo, cujos fundamentos já haviam sido lançados pelo padre Ibiapina, famoso Missionário nordestino, natural do Ceará, através da construção da capela, no ano de 1871. Ao lado de Daniel Nogueira, fixaram residência no povoado, ou nas proximidades, auxiliando nos trabalhos da construção do mesmo: Vítor José Modesto, pernambucano de Águas Belas, que deixou numerosa descendência; Francisco das Chagas, também patriarca de grande família; Ângelo Dias de Oliveira, cearense, com grande descendência; Henrique Alves Batista, também de copiosa prole; Cel. Antônio Modesto, homem de grande prestígio político, filho de Vitor José Modesto; José Martins de Alencar; José Flor, Antônio Argentino, Alexandre Arraes, Severo Cordeiro dos Santos, elemento destacado na política local, baiano de Senhor do Bonfim; João Pedro da Silva, da cidade de Ouricuri. Pela Lei municipal de 1º de julho de 1893, foi criado o distrito de São Gonçalo, que então contava com 8 ou 10 casas e a capelinha de Nossa Senhora da Conceição, primeira e única padroeira do lugar. A Lei estadual de 1º de julho de 1909, de número 991, elevou à vila o povoado, como distrito de Ouricuri.

 

Por essa época, eram principais habitantes do São Gonçalo do Sauhen, e elementos influentes na vida social e política local: o citado c.cl Antônio José Modesto; José Francisco das Chagas, acima também citado; João Pedro da Silva, Henrique Alves Batista, Severo Cordeiro dos Santos; Zeferino da Costa Feio; Antônio Pires de Holanda, paraibano; Manoel Mestre, velho professor; Joana de Lavor Papagaio, viúva de Antônio Balbino de França; Severino Mendes; Antônio Dias de Maria; Boaventura Praxedes de Alencar, cearense residente no sítio Sauhen, onde erigiu uma igrejinha dedicada à Senhora Santana, o qual exerceu por muito tempo o cargo de Comissário de Polícia, para repressão aos inúmeros bandidos que infestavam a zona; Antônio Merece; Antônio Barros Muniz; Cel. Pedro Cícero da Rosa Muniz, tabelião e influente chefe político; Joaquim Alexandre Arraes e Joaquim José Modesto. Em 1922, o Senhor D. José Lopes, bispo de Pesqueira, criou a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de São Gonçalo do Sauhen. Até 1933, ficou sob a responsabilidade do vigário de Ouricuri. A 14 de junho de 1923, chegou de Floresta do Navio o primeiro vigário residencial, padre Luiz Gonzaga Kerhle. Começou então nova era para São Gonçalo. Surgiu a primeira Escola Estadual e vieram vários melhoramentos. A igrejinha fundada pelo padre Ibiapina foi reformada. O cemitério contíguo à dita igreja foi fechado e construído outro. Em 1928, começou a luta pela independência do distrito. O panorama político-social de 1920 a 1930 é quase o mesmo, acrescido agora da atuação decidida do Vigário, homem de larga visão, inteligente e trabalhador. A 11 de setembro de 1928, era criado o município de São Gonçalo, pela Lei estadual n° 1 931, desmembrado do de Ouricuri, recebendo São Gonçalo o nome de cidade. A instalação do novo município ocorreu em 1° de janeiro de 1929. Os elementos que mais se salientaram na batalha da libertação, foram: o Cel. Joaquim José Modesto; o Cel. Francisco da Rosa Muniz; o citado padre Luiz Gonzaga; Francisco Pedro da Roera; major Joaquim Alexandre Arraes; Cel. Pedro Cícero da Rosa Muniz e Cel. Antônio Modesto. O primeiro Prefeito, foi o Cel. Joaquim José Modesto e Delegado de Polícia o major Joaquim Alexandre Arraes. Atualmente é Prefeito, o Sr. Joaquim Pereira Lima; Vice-prefeito Manoel Ramos de Barros; subprefeito do 2° distrito (Morais) Moisés Bom de Oliveira e subprefeito do 3° distrito (Nascente) Ancilon Mendes da Costa. É vigário da paróquia o padre Gonçalo Pereira Lima. O topônimo Araripina que substituiu o de São Gonçalo, pelo Decreto-lei estadual número 952, de 31 de dezembro de 1943, presume-se tenha sido originado pela localização do município nas imediações da chapada do Araripe.

 

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA — O distrito de São Gonçalo foi criado pela Lei municipal de 1° de julho de 1893, e elevado à categoria de vila por força da Lei estadual n° 991, de 1º de julho de 1909. Na “Divisão Administrativa, em 1911”, São Gonçalo figura como distrito do município de Ouricuri. A Lei estadual n° 1 931, de 11 de setembro de 1928, criou o município de São Gonçalo com território desmembrado do de Ouricuri, concedendo à sede municipal foros de cidade. A instalação do novo município ocorreu a 1° de janeiro de 1929. Segundo o quadro da divisão administrativa referente ao ano de 1933, publicado no “Boletim do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio”, bem como os de divisão territorial datados de 31-12-1936 e 31-12-1937, e o anexo ao Decreto-lei estadual n° 92, de 31 de março de 1938, São Gonçalo compõe-se de 2 distritos: São Gonçalo e Morais. Pelo decreto–lei estadual n° 235, de 9 de dezembro de 1938, São Gonçalo adquiriu o distrito de olho d’Água do município de Ouricuri. Na divisão territorial vigente no qüinqüênio 1939-1943, estabelecida pelo mencionado Decreto-lei número 235, São Gonçalo divide-se em 3 distritos: São Gonçalo, Morais e olho d’Água. Em virtude do Decreto-lei estadual n° 503, de 19 de junho de 1940, foram modificadas, no município de São Gonçalo, as divisas entre os distritos de São Gonçalo e Morais.

 

De acordo com o Decreto-lei estadual n° 952, de 31 de dezembro de 1943, que fixou a divisão territorial, em vigor no qüinqüênio 1944–1948, o município de São Gonçalo passou a denominar-se Araripina, permanecendo constituído por 3 distritos: Araripina (ex-São Gonçalo), Morais e Nascente (ex-Ôlho d’Água) . Esta situação permanece, havendo, apenas, a criação do Distrito de Trindade, não instalado, conforme Lei municipal n° 399, de 16 de fevereiro de 1957.

 

LOCALIZAÇÃO — A sede municipal dista da Capital 623 km em linha reta, na direção O. N. O. Pertence à Zona Fisiográfica do Sertão do Araripe. As coordenadas geográficas são as seguintes: Latitude S. 7° 32′ 45″, longitude W.Gr. 40° 34′; Altitude, 620 metros.

 

CLIMA — Tipo de clima: Bah — semiárido quente (alternado pela altitude). Plantado na chapada do Araripe, apresenta as seguintes temperaturas em grau centígrado: Média das máximas 28; média das mínimas 23; média compensada 24, altura total da precipitação no ano 570,1 mm. Obs. (Veja-se Afogados da Ingàzeira)

 

ÁREA — 2.146 km²

 

CENSO DO IBGE –

População estimada 2016 (1) 83.287
População 2010 77.302
Área da unidade territorial 2016 (km²) 2.037,391
Densidade demográfica 2010 (hab/km²) 40,84
Gentílico Araripinense

 

FESTEJOS POPULARES — Os festejos mais notáveis no município são o de Natal, que se caracteriza pelas Missas, sempre procuradas em todos os povoados; danças e jogos diversos; loterias improvisadas; queima de fogos de artifício etc. Os festejos de São João se manifestam diversamente: fogueiras, canjicadas, acompanhadas de bebidas de mesa, aluas, ponches e licores; milho assado na fogueira, balões, tomada de padrinhos e madrinhas, de compadres e comadres, prognósticos sobre casamentos, noivados, vida longa ou até o outro São João; procissões com árvores para a fogueira, ao canto do “Mineiro Pau”, etc. Festejos de ordem religiosa com procissões tradicionais, temos: na cidade de Araripina a festa de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do lugar, a 8 de dezembro, quando quase toda a população do município e vizinhança se encontra na cidade. Na vila de Morais, a festa do padroeiro, Senhor do Bom Jesus, é uma tradição memorável que se renova cada ano no dia 6 de agosto, com demonstração de piedade e alegria expressas em pagamento de promessas, comparecimento de pés descalços à procissão, condução do andor, etc. Outra festa tradicional se celebra na vila de Nascente, a 15 de agosto de cada ano, ainda em honra do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, com as mesmas características das celebrações da vila de Morais. Registra-se ainda outro festejo anual, a 26 de julho, em honra da Senhora Santana na sua capela no sítio Sauhen, que serviu de designativo a Araripina, quando tinha o nome de Sítio Gonçalo de Sauhen. A uns dois quilômetros e meio de Araripina, no sítio Boca da Mata, existe uma capelinha onde o povo faz e paga promessas a uma imagem que chamem Verônica, mas que é a Santa Face de Cristo, pintada a óleo: rosto comprido e oval, olhos alongados, cabelos rijes e repartidos ao meio, barba e bigodes também rijos, tudo muito vivo e cheio de expressão.

 

PARTICULARIDADES GEOGRÁFICAS — Chapada do Araripe, abrangendo os Estados do Piauí e Ceará. Zona privilegiada do município, altitude superior a mil metros com forte incidência de fósseis marinhos, o que documenta que a região esteve sob o mar.